Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

O elogio do papel do jornal. 

Não há blogs, twitters, facebooks que cheguem aos pés de um jornal quando um jornal é o jornal que nos alarga o mundo. Não há nada que se compare a este papel onde se imprime o trabalho de pessoas junto com o trabalho de pessoas. Não há nada neste mundo que substitua este momento, o momento em que outro olhar se cruza com o que outros olhos viram, fixaram e aqui está a imagem da imagem do desalento. Não há blogs, twitters, facebooks que cheguem aos pés destas pessoas que fazem a uma de um jornal e é mesmo para isto que serve um jornal, bendito papel de jornal que tive nas mãos até aqui chegar. Só um jornal para me esfregar na cara a mais dura realidade da vida de pessoas. Hoje, são estas as pessoas, quem serão as próximas?                                            

 


 

A fotografia é de Nélson Garrido, o jornal é o Público do dia 21 de novembro de 2009. Sara Dias Oliveira assina a reportagem da página 26.

 

 

 

 

Percebi agora apenas agora, ao fim de um dia cansativo, que anda meia blogosfera às upas com assunto palpitante: o anonimato de Um Valupi e isto com Pacheco Pereira a dar cerejas em cima do bolo de Um «anónimo chamado Miguel Abrantes». Curiosa forma de passar o tempo. Se Valupi não se chama obviamente Valupi e assina os violentos, apaixonados e inteligentes textos com Um Valupi por baixo, Val para os amigos, o problema é dele. Mas acrescente-se sem perder muito tempo que Um Valupi destes acumula com cobardolas. É cobardolas, sim. Muito cobardolas. Se o «anónimo chamado Miguel Abrantes» não se chama Miguel Abrantes pois leva com o mesmo diagnóstico para a moléstia que sem ser de menor valor acaba da mesma forma: cobardolas sem cara para levar na cara até ao dia em que alguém se passar dos carretos com Um Valupi ou com Um Abrantes e os processar, tornando-os alegados, arguidos, isso tudo com essas palavras todas que já me enjoam de tanto as ler e ouvir repetidas. Poder pode? Pode e se for esse o caso lá terá Um Valupi e Um Abrantes que dar corpo ao manifesto, incluindo cara e mais além. Ou estou completamente enganada? A verdade é que me interessa tanto o nome verdadeiro e a cara de Um Valupi como interessada estou em ver crescer relva ou secar a tinta com que acabei de pintar uma parede. Ambos assinam prosa que me habituei a ler diariamente sem deixar de perceber como se tornou politicamente incorrecto defender Sócrates apenas porque é politicamente correcto atacar Sócrates por tudo e por nada. Porque sim mas porque também. Deste que se assina aquilo e do outro «anónimo» de apelido Abrantes, colecciono-lhes alguns dos escritos, concordo muito e discordo outro tanto. A questão é se a isto se chama vida ao ar livre? Se a vida fosse apenas isto que para aqui anda, e é pena mas parece que a vida que para aqui anda se resume apenas a um mundo que é um canto de um deserto, ora que raio de apoucada vida, portanto, de onde assisto a esta estopada blogosférica que JPP, tristemente encurralado num tresloucado papel de comissário político, se encarregou de transportar para a televisão de forma fácil e frágil, pois por aqui falo sozinha: pobres meninos ricos com a particularidade de serem todos uns maduros.



publicado por Fatima Rolo Duarte às 08:01
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