Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

200920

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  supercherie.bluff. tromperie. imposture. mensonge. plaisanterie.

A maioria das pessoas que observo estão sujeitas a doses generosas de supercherie e mesmo assim sobrevivem. Claro. Comme moi. Não é condenável. Não é mau.

Não é bom. 

É assim porque não pode ser de outra forma?

Pode ser de outra forma. Mas para tanto seria necessário outro tanto de coragem, independência, solidão sentida e vivida, resiliência. Conheço pessoas com estas características. Pastores, uma mulher-a-dias, um arquitecto. Pessoas normais. Nunca se fala em normalidade. A palavra normal tornou-se incorrecta.

Amanhã apresento a minha lista afectuosa e afectiva de pessoas que desconheço e algumas a quem já apertei a mão ou com quem trabalhei anónima quando o meu nome me incomoda muito o que por vezes sucede. São pessoas cujo trabalho me interessa e impressiona. Trata-se de um rol que inclui ainda alguma inevitável supercherie. Não é fácil livrar-me da natureza que é, provavelmente, muito parecida com a vossa natureza.  As outras pessoas que não aparecerem no rol são igualmente importantes embora arrumadas num canto e, por vezes, num canto qualquer, não importa qual. As  que são intensas, ah, essas são as que me comovem, atraem e prendem para toda a vida e não apenas durante um tempo, uma época ou de curta carreira. Essas, que erram e voltam atrás, pessoas capazes de se ultrapassar mesmo que lhes pareça mal e aos outros também. As supercherie, como eu, já as topo porque me conheço, que remédio tenho e portanto digo, delicada e educada, obrigada, que bonito e pronto. Já chega de tamanha «emoção». Acho graça a supercheries porque podem ter graça e por isso nunca caem em desgraça.

Mas há pessoas importantes e a tal ponto importantes a quem nunca mais serei capaz de falar por motivos que só a mim importam. Essas são as mais densas,raras.   Também tenho aqui uma fotografia que foi capa do jornal Público da autoria de Nélson Garrido onde se vêem os trabalhadores da Rohde no momento em que recusaram escolher os 500 colegas que deverão deixar a fábrica. A fotografia de Garrido é imperfeita como desoladora é a situação. Uma excelente fotografia que me entrou casa dentro. Está junto a mim, do meu lado esquerdo. Enquanto a observo penso no que desconheço. Sobre estas vidas nada sei a não ser que não contam para o campeonato de supercherie. Vou ali editar um vídeo e amanhã trato disto. Incluindo a extraordinária fotografia de Nélson Garrido. Que sabemos nós destas vidas? Os blogs, twitters, facebooks, as redes sociais estão vazias destas pessoas que o «destino» esvazia.

Pessoas a quem pedem para escolher 500 pessoas que pareçam descartáveis.

Até amanhã.  

 

 



publicado por Fatima Rolo Duarte às 09:17
link do post | adicionar aos favoritos